A
Guerra do Contestado aconteceu no início do século XX, entre os anos de 1912 e
1916.
O conflito
aconteceu na Região Sul do Brasil, onde atualmente localiza-se a Região Norte
do Estado de Santa Catarina e a Região Sul do Estado do Paraná.
Naquela época,
essa região era habitada por povos mestiços oriundos predominantemente das
raças negra, indígena, árabe, espanhola e portuguesa. Esses povos tinham índole
nômade e extrativista. Não eram habituados ao cultivo da terra, nem à produção
industrial, no entanto, criavam gado e cavalos, sendo o comércio desses animais
a principal fonte de renda na região. Essa época passou a ser historicamente
denominada de “Ciclo do tropeirismo”, e os habitantes da região
tornaram-se conhecidos como “vaqueanos”.
Os
conflitos iniciaram-se logo após a criação da Província do Paraná, que se
estabeleceu entre a Província de São Paulo e a de Santa Catarina. Houve falhas
e até omissão por parte do governo na demarcação do mapa e do território das
Províncias do Paraná e de Santa Catarina. Os coronéis e os colonizadores da
Província do Paraná chegaram e tomaram posse de terras, tidas até então como
catarinenses, e começaram a cobrar pesados impostos dos comerciantes de gado e
erva-mate, que já se encontravam na região. Isso provocou revolta nos
estancieiros que se julgavam catarinenses e já viviam há muito tempo nas atuais
cidades de Canoinhas, Três Barras, Major Vieira, Valões e outras localidades
próximas.
O
governo federal não dava a devida assistência à Região Sul do Brasil,
deixando-a a mercê dos mandos e desmandos dos coronéis que aqui se
estabeleceram.
A região começou a ser explorada e a
se integrar ao território brasileiro a partir da existência do transporte
ferroviário.
A construção da ferrovia que ligava São Paulo ao Rio Grande do Sul foi cedida a
empresas norte-americanas em troca da exploração territorial de 15 (quinze) km
de extensão às margens do trajeto. Os americanos poderiam explorar toda a
floresta nativa, a fauna e inclusive vender lotes de terras devolutas para
imigrantes europeus que aqui se estabeleceriam para dar início à produção
agrícola, industrial e comercial.
Os
operários que construíram a ferrovia São Paulo x Rio Grande foram explorados
financeiramente, não receberam direitos trabalhistas, nem previdenciários e não
puderam retornar aos seus locais de origem, juntando-se aos demais habitantes
da Província de Santa Catarina, que também ficaram sem terra com a criação da
Província do Paraná, vivendo em condições precárias.
Após
quatro anos de conflitos, e com a integração da Região Sul à Sudeste pela
ferrovia, o governo providenciou a demarcação das terras de cada província e a
paz voltou ao Sul.
As consequências
das arbitrariedades sócio-político-econômico-geográficas perduram até hoje. A
Região do Contestado ainda é uma das mais pobres e subdesenvolvidas do Sul do
Brasil. Os imigrantes colonizadores europeus conseguiram a posse das terras e
fomentaram o desenvolvimento da região, mas os descendentes daqueles caboclos,
os ex-vaqueanos, continuaram pobres, desassistidos pelo governo e, muitas
vezes, pela sociedade. Arrastaram consigo a miséria e os problemas sociais até
os nossos dias, vivendo precariamente como operários, semi-analfabetos e sem
moradia adequada, nas periferias das cidades da região do Contestado.
Na
memória trazemos lembranças de injustiças, discriminações, conflitos e
massacres. Esperamos que o futuro nos devolva a dignidade, o desenvolvimento
econômico, a justiça social e o turismo histórico e ecológico.
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