quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Quadras ou Quartetos


O ódio é uma bomba
Que primeiro mata inocentes
Para punir com mais rigor
Aquele que germinou a sua semente.

A raiva sufoca o bom senso,
Oprime a lucidez,
Abala relacionamentos
E fere os bons sentimentos.

O amor possibilita o perdão,
Constrói a paz, harmoniza almas,
Abre caminhos à felicidade
E traz o bem a quem o propaga.

A mágoa é veneno que corrói a alma,
Espalha dor, lágrimas e sofrimento.
O antídoto é o perdão e o esquecimento!
Na vida o que tem valor: amor, amizade e alegria em cada momento! 

Walterlin Forostecky Kotarski
18 de janeiro de 2016.




Haicais



A mão caridosa divide o alimento,
Multiplica o afago
E, do próximo, diminui o sofrimento.

A pessoa egoísta
Desconhece a alegria da partilha
E o conforto do acolhimento.

O fofoqueiro espalha a discórdia,
Enquanto semeia a própria solidão,
Que gera como colheita o seu total isolamento.

A oração é uma conversa com Deus,
Um compromisso com o âmago da alma,
Um pacto entre o Divino e o Humano puramente despojado.


Walterlin Forostecky Kotarski
18 de janeiro de 2016.




terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Humanos mais humanos


Sejamos cada dia mais humanos,
Que a gentileza esteja sempre
Em nosso meio,
E o respeito seja honrado
E soberano.

Que a amizade e o afeto
Sejam bem valorizados.
Que haja sempre compaixão
Para o igual e o diferente.
E vivamos sempre bem,
Pois todos somos gente!

Ajudemos quem precisa,
Sejamos solidários!
Que tal sermos mais sensíveis
Com alguém ao nosso lado?
Quem sabe um sofrimento
Possa ser atenuado?

Para que tanto egoísmo
E apego material?
Tanto humano desumano
E violência tão brutal?

Competição
e
Individualismo
Conduzem sempre
À solidão fatal!

Sejamos mais humanos
Eu, você, a professora,
A família, a escola,
Que tal?

Mão na mão,
Olho no olho,
Sentimento partilhado,
Amor mais semeado
E a paz mais vivenciada
Na colheita fraternal.

Humanos mais humanos
Nesta era digital.
Nosso cérebro não é chip,
Nosso coração não é virtual
E o amor é necessário
A todo o ser vivo e mortal.


Professora Walterlin Forostecky Kotarski
11 de novembro de 2015.
Tema:  Humanização.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

O que é ser professor?

Ser professor, no Brasil, é exercer uma profissão desafiadora, árdua, cansativa, desprestigiada e também gratificante. Ser professor é ter a consciência de que é preciso estar disposto a aprender até o último dia de vida e, mesmo assim, não terá sido suficiente, pois, como sabemos, o conhecimento é infinito e, por isso, estará sempre incompleto. Ser professor é ser, acima de tudo, humilde. Ser professor é ser tolerante, paciencioso e compreensivo. Ser professor é ser exigente, insistente, repetitivo e “chato”.
O professor é o profissional que tem como matéria-prima o ser humano. É o profissional que revoluciona mentes; que constrói conhecimentos; que auxilia a articulação de pensamentos; que induz a formulação de argumentos; que questiona e problematiza; que promove a pesquisa; que transforma culturas e gera inovações na sociedade política e economicamente organizada.
O professor é o profissional que lida com emoções, conflitos, frustrações, rebeldia, vícios, carências, síndromes, hiperatividade, indisciplina e falta de respeito.
O professor é o profissional que tem a responsabilidade de fazer com que o seu alunado se modifique ao longo da trajetória escolar, tornando-se capaz de transpor o que aprendeu para sua vivência em situações reais do cotidiano no decorrer da vida.
No Brasil, ser professor é ouvir muitas críticas pejorativas da sociedade e até mesmo de escalões hierárquicos superiores do próprio Sistema Educacional Brasileiro, mas não se deixar afetar e persistir na profissão apesar das PÉSSIMAS CONDIÇÕES DE TRABALHO. É ser praticamente um “ente sobrenatural” em cujas costas recai toda sorte de mazelas sociais que nenhum outro órgão ou profissional conseguiu sanar. Então, encontrou-se uma solução mágica: é competência e obrigação da escola e os professores que deem conta do recado. Afinal, são professores! Ou seja, seres mágicos, com polegar opositor e cérebros altamente desenvolvidos e que têm por obrigação buscar soluções para infinitos problemas. Detalhe importante: trabalham muito, recebem salários muito aquém do deveriam receber e frequentemente ouvem a seguinte pergunta: “Professor, você trabalha ou só dá aula?”
Só respondi por que me perguntaram. Caso contrário, passaria por mal-educada e ranzinza, uma colega chata que não gosta de colaborar com a equipe. Não tenho culpa se penso assim e sou sincera. Devo esclarecer que, todos os dias, dou o melhor de mim no exercício da minha atual profissão que é: PROFESSORA!

Walterlin Forostecky Kotarski

Professora de Língua Portuguesa – Data: 21 de setembro de 2015.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Lá em Andrômeda

O sábio prudente diz: Leia!
Mas a preguiça me prende
Em sua teia, e o bate-papo
No facebook me desnorteia.

A professora persistente diz: Leia!
Mas eu bocejo e o meu olhar,
Sem visão, mira aquela página
Que, inutilmente, tenho entre as mãos.

O médico esperançoso diz: Leia!
Mas o meu cérebro atrofiado
É incapaz de compreender
O significado daquelas páginas cheias.

O pesquisador animado diz: Leia!
Mas de tanto eu fugir da leitura,
A escrita, para mim, é tortura,
Disfarço e saio pela tangente.

O mercado de trabalho diz: Leia!
Mas eu sou um analfabeto funcional.
Que coisa chata! Por que ganho tão pouco,
Enquanto outros têm salário magistral?

Que exorbitância! Veja quanto ganha
Um médico, um auditor, um juiz,
Um astronauta, um cientista,
Um empreiteiro, um bom ator?

Ah! O Piririca se deu bem,
E o baixinho Ranário, também!
Certa vez, houve um presidente
Que foi antigo operário.

Meras exceções, é claro!

De tanto eu não ler
E o cérebro não exercitar,
Fui desistindo de pensar
E os outros decidem por mim.

Que triste este fim,
Só posso lamentar.

Esta é uma obra de ficção.
Qualquer semelhança com a vida real
É mera coincidência.

O magistério adverte:
Ler faz bem a todos sempre.


SEMANA DA LEITURA
26 a 31 de outubro de 2014.

Walterlin Forostecky Kotarski

domingo, 24 de agosto de 2014

97 anos, parabéns!


Porto União,
És meu ponto de referência,
Aqui, exerço os meus direitos,
Aqui, cumpro os meus deveres,
Aqui vivo, trabalho, sou cidadão.

Tuas ruas conhecem os meus passos,
Eu conheço as tuas praças,
Frequento as tuas festas,
Admiro os teus jardins,
Acompanho a tua história.

Tu és minha cidade por opção.
Viajo, passeio, mas volto;
E tu sempre me acolhes
Com tua simplicidade,
Com tua paz e aconchego.

Tu tens belas paisagens,
No teu entorno, há colinas verdejantes...
Aqui, o velho se mistura com o novo,
Há lugar para antenas via satélite,
Para o fogão a lenha, a carroça e a bicicleta.

Teu trânsito é peculiar,
Há estacionamento na terceira faixa,
Ciclovia na quarta faixa
E também pontos-de-ônibus!
Ah! E as centenas de lombadas?

Noventa e sete anos de história!
Com bom planejamento,
Tu poderás crescer
De modo organizado,
E encantar cada vez mais
A quem por ti já é apaixonado.

Walterlin Forostecky Kotarski
Homenagem aos 97 anos de Porto União

1917 - 2014 

domingo, 22 de junho de 2014

Outra vez


O sol se foi e o céu acinzentou,
E a chuva veio mansa e contínua,
E tornou-se forte, e insolente, e arrasadora,
E cobriu as ruas, e sufocou bueiros,
E formou torrentes, e invadiu as casas...

E continuou a chuva,
E encostas deslizaram,
E houve barreiras, e abriram-se crateras,
E pontes ruíram, e asfaltos racharam,
E as aulas paralisaram.

E os rios transbordaram,
E as casas sumiram,
E dezenas de ilhas surgiram.
E faltou luz, e faltou água, e faltou acesso,
E o caos se instalou.

E o povo assustado ficou flagelado.
E o barco demora, e o caminhão que não vem?
Há muito tumulto, é só vai-e-vem,
A água subindo piedade não tem.
Pra onde eu vou? Vou ficar com quem?

A Defesa Civil começa ajudar,
Mas há muita gente, é preciso esperar.
Depressa, a Prefeitura deve agir e pensar,
O tempo voa, o socorro tarda a chegar
E a água implacável destrói mais um lar.

O estrago é grande e assusta os prefeitos,
É preciso recursos senão não tem jeito.
O governador promete respaldo,
E à Presidente vão pedir mais algo,
O povo se engaja e brota a solidariedade.

Promessas são feitas, planos traçados,
Cestas básicas, roupas, abrigos, burburinho,
E o sonho de deixar de ser ribeirinho.
Reconstruções, faxinas, trabalho, coragem,
Queixas, prejuízos, tropeços e recomeços,

Junho de enchente,
Junho de desabrigo,
Junho de Copa do Mundo,
De visita de Dilma, a Presidente,
Quanta emoção perpassa o coração da gente.

Outra vez...

 Walterlin Forostecky Kotarski
17 de junho de 2014.