domingo, 27 de janeiro de 2019

Mina Córrego do Feijão


Mina Córrego do Feijão


De repente um mar e lama corre
com pressa de matar.
Nos olhos o pavor,
O grito sufocado,
A vida sem vigor.

De repente um mar de lama
assola casas, soterra vidas,
quebra pontes, derruba floresta,
rompe estradas e corre
com pressa de matar.

Cadê a pousada,
o refeitório,
a ferrovia, o sítio
e a menina que se perdeu da mãe?

Cadê a médica, o engenheiro,
o operário, a secretária,
o pai de família e o avô?
Em Brumadinho o caos é quem vingou!

O rio Paraopeba
não pôde se defender
e o seu templo de vida
começou a fenecer.

A imagem daquela vaca,
que atolou sem perceber...
Corta o coração da gente
à morte a natureza se render.

Fatalidade ou negligência?
Um mar de lama de rejeito,
luto, um alto preço,
natureza morta,
o Brasil só a perder.

Por que outra vez?
Não bastou a tragédia de Mariana?



Walterlin Forostecky Kotarski
25 de janeiro de 2019.