Ser professor, no
Brasil, é exercer uma profissão desafiadora, árdua, cansativa, desprestigiada e
também gratificante. Ser professor é ter a consciência de que é preciso estar
disposto a aprender até o último dia de vida e, mesmo assim, não terá sido
suficiente, pois, como sabemos, o conhecimento é infinito e, por isso, estará
sempre incompleto. Ser professor é ser, acima de tudo, humilde. Ser professor é
ser tolerante, paciencioso e compreensivo. Ser professor é ser exigente,
insistente, repetitivo e “chato”.
O professor é o profissional
que tem como matéria-prima o ser humano. É o profissional que revoluciona
mentes; que constrói conhecimentos; que auxilia a articulação de pensamentos; que
induz a formulação de argumentos; que questiona e problematiza; que promove a
pesquisa; que transforma culturas e gera inovações na sociedade política e
economicamente organizada.
O professor é o
profissional que lida com emoções, conflitos, frustrações, rebeldia, vícios,
carências, síndromes, hiperatividade, indisciplina e falta de respeito.
O professor é o
profissional que tem a responsabilidade de fazer com que o seu alunado se
modifique ao longo da trajetória escolar, tornando-se capaz de transpor o que
aprendeu para sua vivência em situações reais do cotidiano no decorrer da vida.
No Brasil, ser
professor é ouvir muitas críticas pejorativas da sociedade e até mesmo de
escalões hierárquicos superiores do próprio Sistema Educacional Brasileiro, mas
não se deixar afetar e persistir na profissão apesar das PÉSSIMAS CONDIÇÕES DE
TRABALHO. É ser praticamente um “ente
sobrenatural” em cujas costas recai toda sorte de mazelas sociais que
nenhum outro órgão ou profissional conseguiu sanar. Então, encontrou-se uma
solução mágica: é competência e obrigação da escola e os professores que deem
conta do recado. Afinal, são professores! Ou seja, seres mágicos, com polegar
opositor e cérebros altamente desenvolvidos e que têm por obrigação buscar
soluções para infinitos problemas. Detalhe importante: trabalham muito, recebem
salários muito aquém do deveriam receber e frequentemente ouvem a seguinte
pergunta: “Professor, você trabalha ou só dá aula?”
Só respondi por que
me perguntaram. Caso contrário, passaria por mal-educada e ranzinza, uma colega
chata que não gosta de colaborar com a equipe. Não tenho culpa se penso assim e
sou sincera. Devo esclarecer que, todos os dias, dou o melhor de mim no
exercício da minha atual profissão que é: PROFESSORA!
Walterlin Forostecky Kotarski
Professora de Língua Portuguesa
– Data: 21 de setembro de 2015.